terça-feira, novembro 14, 2006

Da esperança

A esperança é um sentimento ridículo, cultivado pelos idiotas que tentam, inutilmente, fugir da realidade que os persegue: são uns fracassados.

Não há sentimento mais característico dos perdedores que a esperança. Os bons, os fortes, os que acreditam em sua vitória são realistas e não esperam, eles, ao contrário, agem e têm fé em si mesmos - não confundir: fé, confiança; esperança, esperar o que deseja.

Ora, o realista não espera o que deseja, espera o que acha que vai acontecer, e por isso é mais preparado e mais forte. Os esperançosos são fracos.

Acreditar no impossível é patético, esperar o impossível acontecer é no mínimo estúpido. Os fortes podem sofrer derrotas, mas geralmente sabem que ela virá, e ainda que não saibam, quando perdem, aceitam imediatamente e começam nova jornada. Sem esperança. A esperança é um sentimento ridículo.

domingo, setembro 03, 2006

Lapa


A Lapa é um lugar sujo, cheio de putas e travestis. Pra onde quer que se olhe há gente bêbada ou drogada tentando se equilibrar com a ajuda dos postes e das árvores. Os mendigos são ignorados e os vendedores ambulantes ficam gritando “olha skol, dois latão por cinco!” ou “Tequila! Tequila!” e embora a cerveja pareça confiável a tequila deveria ter no rótulo: “39,0% de álcool e 27,5% de urina.”.

Os pivetes proporcionam um espetáculo à parte, porque estão sempre querendo parecer úteis ou trabalhadores para arrancar algum trocado de turistas. Um deles abriu a porta do táxi em movimento para que um rapaz não tivesse que esperar no ponto, outro se ofereceu para ajudar a catar latas para um mendigo do outro lado da rua porque lá já havia um “oligopólio de catadores”. Além disso, eles estão sempre fazendo comentários sinceros, por exemplo, quando o pivete do táxi abriu a porta levando um esporro do motorista, retrucou rapidamente: “-fala direito comigo! Tu sabe com quem ta falando tu?”. Outro quando passou em frente à um bar movimentado disse que quando fosse rico iria tomar cerveja ali.

O público da Lapa é muito diversificado, intelectuais maconheiros, punks maconheiros, playboys maconheiros, hippies maconheiros, artistas maconheiros estão todos misturados e vivem em perfeita harmonia.

A noite é viva nesse lugar, não é como em outros pontos da cidade em que não se percebe a urbanidade característica de grandes centros, e de que particularmente tanto gosto. Lá se podia ver a diversidade que bairros da zona sul pouco tem, e quando tem se limita à Playboys e Grunges. Mesmo que o cidadão não seja nenhum do dois, será agregado a um dos grupos tornando-se um Grunge de consideração ou Playboy de consideração.

Havia pessoas com cadeados no pescoço, jovens de suspensório pendurado na calça e outras coisas patéticas de quem quer chamar a atenção e exagera cada vez mais no estilo para –diga-se de passagem, em vão- causar impacto nas pessoas.Lá é inútil.... Ninguém liga pra você. A Lapa é uma cidade de verdade.

terça-feira, agosto 29, 2006

A vida de Escova

Esclarecimento: O texto é uma crítica social, e não tem a intenção de ofender nenhum cidadão de bem. Além disso, não há posicionamento quanto ao sistema de cotas para negros, apenas a citação dele.

Era uma vez um homem que fumava maconha de vez em quando, ele ficava horas rindo e filosofando com seus amigos, afinal eram todos Filhos de Jah e queriam, se divertir. Um belo dia no entanto este homem, chamado Escova resolveu mudar seu estilo. Era difícil ser levado a sério pois todos achavam que ele era apenas um emo-enrustido-viciado-em-drogas e que não tinha nada na cabeça, portanto ele decidiu que daquele momento em diante ele seria negro.
No começo tudo era diferente e por isso desafiador, Escova se sentia forte... e negro. Mas como negros sofrem muito na vida pelo preconceito de pessoas mestiças, que se acham brancas, ficam na praia para escurecer, e compram roupas para negros que só mesmo os brancos podem comprar(inclusive cordões de prata), Escova foi diversas vezes discriminado. No seu trbalho de empacotador da Casa & Video era chamado de Saci, pois era tão lerdo que parecia ter uma perna só. Na rua era chamado de Polaco, não só por ironia, mas também porque sempre apanhava naquela brincadeira bruta "Corredor Polonês".
No final do ano Escova conseguiu entrar para a UERJ pelo sistema de cotas o que lhe deu muita alegria e esperança. Como ele estava numa universidade pública, onde só os ricos podem estudar, Escova voltou a ser branco, não porque quisesse ou fosse discriminado mas porque ninguém mais acreditava que ele era negro. Durante o curso voltou a usar drogas, desta vez algumas mais pesadas. Isto lhe rendeu prestígio entre EMOS e intelectuais de esquerda (o que pode parecer redundante levando-se em considreção o desenvolvimento do telencéfalo).
Ao final do curso Escova já não suportava a presença de negros, e até mesmo sua empregada doméstica era importada da China, pois a mão de obra chinesa era mais barata, mais eficiente e menos negra. Na verdade Escova só gostava do Bob Marley.
Escova viveu até os 60 anos, quando morreu de infarto, antes disso ele fez dois filhos, um negro e eum branco, sendo que o primeiro foi afogado em agua sanitária e o segundo gastou todo o dinheiro da família com com bonés da Von Dutch e camisas da Lost.

sábado, agosto 26, 2006

Sobre o Blog

Se todo mundo tem um blog, também eu terei.
Aqui publicarei qualquer porcaria que eu tiver escrito e por isso não faço idéia de que tipo de post esse espaço terá.
Embora eu duvide que alguém quiera perder seu tempo lendo esse blog sem qualidade(logo, sem controle da mesma), quero deixar claro que o leitor é convidado a deixar comentários sinceros sobre os escritos.