
A Lapa é um lugar sujo, cheio de putas e travestis. Pra onde quer que se olhe há gente bêbada ou drogada tentando se equilibrar com a ajuda dos postes e das árvores. Os mendigos são ignorados e os vendedores ambulantes ficam gritando “olha skol, dois latão por cinco!” ou “Tequila! Tequila!” e embora a cerveja pareça confiável a tequila deveria ter no rótulo: “39,0% de álcool e 27,5% de urina.”.
Os pivetes proporcionam um espetáculo à parte, porque estão sempre querendo parecer úteis ou trabalhadores para arrancar algum trocado de turistas. Um deles abriu a porta do táxi em movimento para que um rapaz não tivesse que esperar no ponto, outro se ofereceu para ajudar a catar latas para um mendigo do outro lado da rua porque lá já havia um “oligopólio de catadores”. Além disso, eles estão sempre fazendo comentários sinceros, por exemplo, quando o pivete do táxi abriu a porta levando um esporro do motorista, retrucou rapidamente: “-fala direito comigo! Tu sabe com quem ta falando tu?”. Outro quando passou em frente à um bar movimentado disse que quando fosse rico iria tomar cerveja ali.
O público da Lapa é muito diversificado, intelectuais maconheiros, punks maconheiros, playboys maconheiros, hippies maconheiros, artistas maconheiros estão todos misturados e vivem em perfeita harmonia.
A noite é viva nesse lugar, não é como em outros pontos da cidade em que não se percebe a urbanidade característica de grandes centros, e de que particularmente tanto gosto. Lá se podia ver a diversidade que bairros da zona sul pouco tem, e quando tem se limita à Playboys e Grunges. Mesmo que o cidadão não seja nenhum do dois, será agregado a um dos grupos tornando-se um Grunge de consideração ou Playboy de consideração.
Havia pessoas com cadeados no pescoço, jovens de suspensório pendurado na calça e outras coisas patéticas de quem quer chamar a atenção e exagera cada vez mais no estilo para –diga-se de passagem, em vão- causar impacto nas pessoas.Lá é inútil.... Ninguém liga pra você. A Lapa é uma cidade de verdade.
2 comentários:
Incrível. Gostei muito.
Texto cheio de ironia e estilo, ácido como vodca vagabunda.
Abrações, vou ver se durmo pra inveja passar hahahhaha
duro não viver no rio de janeiro.
vivemos na barra
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