quinta-feira, agosto 16, 2007

"O velho e o mar"

O primeiro livro de Hemingway que li foi "Por quem os sinos dobram". E se tive interesse por ele foi por causa de um álbum de Raul Seixas com o mesmo nome, aliás nesse mesmo CD descobri o livro "Nada de Novo no Fronte" de Erich Maria Remarque. Mas esta introdução foi só para dizer como descobri Ernest Hemmingway, e chegar à obra dele sobre a qual quero comentar: "O Velho e o Mar".
São poucos os personagens, e pouco o tempo em que eles aparecem, com exceção do protagonista -o velho- que fica pouco tempo fora das páginas. Talvez o livro seja capaz de fazer qualquer leitor sentir-se identificado com o pescador.
A história narra a vida de um velho pescador que já não tem a sorte e a força da juventude, mas faz isso contando o dia em que ele depara-se com o maior peixe que já viu, e trava com o animal uma batalha honesta, que além de forças físicas, trabalha a capacidade psicológica dos dois, o peixe e o velho. O clímax do livro é o duelo, e o duelo ocupa o livro inteiro.
As reflexões do protagonista são fonte de esperança, e é o grande duelo que o ajuda a pensar nisso.


- O peixe também é meu amigo, disse em voz alta. Nunca vi ou ouvi falar de um peixe desse tamanho. Mas tenho de matá-lo. É agradável saber que não tenho de tentar matar as estrelas.
"Imagine o que seria se um homem tivesse de tentar matar a lua todos os dias.", pensou o velho."A lua corre depressa. Mas imagine só se um homem tivesse de matar o sol. Nascemos com sorte."
Depois teve pena do enorme peixe que não tinha nada para comer, mas sua determinação de matá-lo jamais arrefeceu, mesmo naquele momento de pena. "Quantas pessoas irá alimentar? Mas serão elas merecedoras de um peixe assim? Não, claro que não. Ninguém é merecedor de comê-lo tão grandes são a dignidade e a sua maneira de agir."
"Não compreendo estas coisas", pensou ele. "Mas é bom que não tenhamos de tentar matar a lua, o sol ou as estrelas. Basta viver no mar e ter de matar os nossos verdadeiros irmãos."

("O velho e o Mar", Ernest Hemingway)

Um comentário:

Marcos disse...

Raul Seixas também é cultura...